A Escola dos Annales – ( Peter Burke)

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O livro “A Escola dos Annales” vem apresentar a visão e o rumo que a História tomou ao longo dos tempos, através dos métodos utilizados por aqueles que fizeram parte dos Annales, mostrado nas palavras do autor inglês Peter Burke.

Havia uma necessidade de mudanças, de tornar a História bem mais abrangente, em que o homem como historiador pudesse se redescobrir em meio a ela. Para tal, era preciso um material de trabalho que apresentasse um quadro de maiores possibilidades, que o levasse a criar e recriar novos tipos de abordagens para o entendimento da chamada “História Nova”, levada pelas três e principais gerações da Escola dos Annales, nas quais estiveram presentes os principais autores da época que tiveram papel direto e essencial para o avanço do movimento . Entre eles estavam March Bloch e Lucien Febvre (seus fundadores), que possuíam ideais parecidos quando se referem à história, mas comportamentos díspares visto que ambos tinham suas particularidades, que era o que os diferenciava. Seguidos por Fernand Braudel, Georges Duby, Jacques Le Goff, entre outros. Estes foram responsáveis por mudar a maneira de se estudar história, vista antes de um modo apenas tradicional.

Os autores que fizeram parte da Escola dos Annales tinham por objetivo em comum, como visto no próprio livro: “[...] de fazer dela um instrumento de enriquecimento da história…” (2010, p.8). Através de combinações que contribuíssem para a evolução da narrativa, tendo o movimento uma das características que mais se vê no livro, que é a questão da interdisciplinaridade, um dos fatores que possibilita novas invenções e parcerias com as outras ciências próximas, como por exemplo, a antropologia, ciências sociais e geografia que também tiveram seu importante papel.

O autor Peter Burke vem neste livro reavivar ao leitor o que se passou no mundo dos Annales, trazendo não só as qualidades desse movimento, mas mostrando também falhas e críticas que receberam na época. Ele tinha como objetivo trazer conhecimento de forma precisa, para a compreensão das várias questões que a rodeiam, abordando temáticas distintas, entre elas a História-Problema; História do Imaginário; História Quantitativa, cada uma em sua forma e especificidade. Além disso, apresentou divisões bem cronológicas no decorrer do livro, dividindo-o não apenas pelas principais gerações, mas também por temas, destacando as tendências de cada fase.

Do mesmo modo, a obra mostra que com a criação da chamada “Nova História” os profissionais uniram-se pelo interesse em comum, que era o estudo da história. Eles não permitiam mais serem diminuídos, o historiador estava sempre em busca de contribuir para o avanço da historiografia, através de novos objetos de estudo, utilização de diferentes fontes e métodos que deram início a um novo jeito de se pesquisar e estudar História, tornando a Escola dos Annales grande influência e referência para profissionais da área até hoje. Toda sua obra e o que sucedeu depois dela trouxe uma importante perspectiva sobre a contribuição do movimento dos Annales. Este colaborou bastante para a ampliação desses estudos e há um trecho que aponta bem isso: “O grupo ampliou o território da história, abrangendo áreas inesperadas do comportamento humano e a grupos sociais negligenciados pelos historiadores tradicionais” (2010, p.143). Com a colaboração de outras ciências os estudos e pesquisas puderam avançar num nível maior, trazendo novas descobertas essenciais para estória da historiografia.

Por outro lado, as formas de ver historiografia através dos Annales não se mantiveram apenas na França. O autor conta que houve uma grande expansão do movimento pelo mundo, o que explica toda a sua influência. Segundo Peter Burke, as ideias do grupo foram mais aceitas nas Américas, tendo o Brasil, onde as aulas ainda são lembradas, como o país onde a propagação foi maior. O estudioso cita ainda a Europa e a Ásia como lugares onde o movimento do Annales foi disseminado, exercendo influência não só na historiografia, mas também na área dos conhecimentos humanos, que são de grande valor.

Portanto, o movimento promove ainda hoje a ideia de uma história contínua, que traz consigo ações inovadoras para quem deseja iniciar um estudo mais abrangente na área, por exemplo, ou até mesmo para quem deseja estudar o próprio grupo dos Annales. Faz-nos pensar o quanto podemos aprender e evoluir, quando se possui fontes que agregam tanto à profissão de historiador, quanto ao pesquisador dando ideias e possibilidades que caminho seguir.

Referência: Burke, Peter. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales 1929-1989 / Peter Burke; tradução Nilo Odalia. – 2. Ed. – São Paulo: Editora da Unesp, 2010.

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