Uma Cidade sem Passado (The Nasty Girl)

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            maxresdefaultO filme Uma cidade sem passado que na versão original chama-se The Nasty Girl é de 1989, tendo como diretor Michael Verhoeven. O elenco é composto por Barbara Gallauner, Elisabeth Bertram, Fred Stillkrauth, Hans-Reinhard Müller, Karin Thaler, Michael Gahr, Michael Guillaume, Monika Baumgartner, Robert Giggenbach, Willi Schultes e Lena Stolze (personagem principal). A história narrada baseia-se na história real de Anna Rosmus, natural de Passau (Alemanha) que aos dezesseis anos interessou-se por estudar História, especialmente por assuntos como o Terceiro Reich. Rosmus escreveu seu primeiro livro Resistance and Persecution – The Case of Passau, 1933-1939, que foi publicado em 1983. Em 1985, o diretor Michael Verhoeven interessou-se pela história de Anna, dando origem ao filme.

             A trama se passa num pequeno lugar chamado Pfilzing, cidade natal de Sonja, personagem interpretada por Lena Stolze. Sonja, aluna muito correta e aplicada, recebe uma proposta de sua professora para concorrer num concurso de redação cujo prêmio era uma viagem à França. O tema da redação foi “Minha cidade natal durante o Terceiro Reich”, o que levou Sonja a procurar informações sobre o tema para que assim, pudesse elaborar os escritos. Durante sua busca, a personagem sofreu uma dura perseguição por parte das elites locais e de alguns membros da Igreja que no passado, tiveram ligações diretas com os nazistas. Em busca da “documentação proibida”, Sonja chega a processar a própria cidade para que ela tenha acesso aos arquivos.  O nazismo é então o pano de fundo da película, abordado como um momento obscuro da história em que se tinha restrições e muitas verdades eram ocultadas.

             O trabalho desenvolvido por Sonja, nos faz indagar sobre o papel do historiador na sociedade e de como algumas atividades são difíceis de serem realizadas no cerne da pesquisa e na busca por fontes, sejam elas de estilos variados. Interligando com o livro Fontes Históricas, organizado por Carla Pinsky (2015), notamos as variadas fontes que estão suscetíveis ao ofício do historiador. No livro, são abordados temas como fontes documentais, arqueológicas, impressas, audiovisuais, dentre outras que servem de aparato imprescindível às pesquisas realizadas no âmbito acadêmico.

               Para além do diálogo com as fontes e a demanda que decorre em função das pesquisas nos arquivos, a memória é posta em evidência na película. Partindo do olhar de Michel Pollack (1989) e Henry Rousso (2006), notamos que o silêncio acontece como uma alternativa para o desconfortável, pois as autoridades utilizam mecanismos para silenciar aquilo que não é conveniente para eles em relação ao nazismo, e o esquecimento como um ponto para a “memória vergonhosa” que ainda se faz presente na vida dos moradores da cidade que vivenciaram o momento analisado por Sonja.

            O filme nos faz pensar a respeito de temas como ditadura, nazismo, entre outros, que, mesmo com as constantes produções acadêmicas realizadas, ainda sofrem algumas limitações, seja no tocante ao acesso dos documentos sobre eles ou mesmo na inexistência destes. Pensando nas possibilidades e de como os fatos históricos são construídos ou reconstruídos, podemos nos deparar com situações semelhantes às que foram vividas pela personagem Sonja, o que nos faz refletir ainda mais sobre a importância da história e do historiador na sociedade. Assim, Uma cidade sem passado é essencial para os historiadores que, recorrendo às fontes, realizam pesquisas em âmbito geral, proporcionando reflexões variadas que escapam nestas linhas.

Referência Bibliográfica: PINSK, Carla B. Fontes Históricas. 3. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2015.

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