História e Memória (Jacques Le Goff)

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história e memoria

A obra “História e Memória” foi publicada em 1988, contendo escritos de 1977 e 1982 feitos pelo autor Jacques Le Goff. Este teórico reconstrói conceitos através de estudos que vão da Idade Antiga à Idade Contemporânea, com enfoque no pensamento dos escritores destas épocas.

Segundo Le Goff, manter conhecimentos armazenados na mente relacionados a funções psíquicas, psicológicas ou da Neurofisiologia, faz as pessoas reinterpretarem o passado, dando origem à memória coletiva, uma das principais formas de discutir História.

De fato, o Positivismo, a Escola dos Annales, história política, dos grandes heróis, dos bastidores, das guerras, entre outras; são temas abordados na obra. Do mesmo modo, a diversidade de documentos, o fim do monopólio das fontes escritas, a oralidade sendo reconhecida como relevante a partir de 1970, a evolução das maneiras de recontar o passado é mostrada com referências clássicas, por exemplo, Peter Burke, Heródoto, René Descartes e Augusto Comte.

Além disso, o termo “modernidade” que trata destas mudanças, lançado por Baudelaire, teve um reconhecimento, inicialmente, nos ambientes literários e artísticos no final do século XIX, tendo assim, sua popularização somente após a Segunda Guerra Mundial. Em suma, a modernização está ligada à moda, como característica do gosto ideal que aparece no cérebro humano considerado, acima de tudo, como vulgar, segundo Le Goff.

Por outro lado, a memória é a habilidade de conservar muitos conhecimentos, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que dá ao indivíduo a capacidade de atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como não atuais. Enquanto Lucien Febvre diz que não há tese histórica sem documento, valorizando a historiografia e até mostrando a dificuldade de contar a história das mulheres em diversas épocas por muitas delas não saberem escrever, o autor de História e Memória alerta para a veracidade contida ou não nas fontes, identificando a desconfiança como aliada do historiador.

Portanto, o livro debate os paradoxos e ambiguidades da história, a mentalidade histórica dos homens, as filosofias da história, o ofício do pesquisador cientista, a Europa pré-industrial, modernismo, revolução documental, cultura dos calendários, além de almanaques, memória étnica e ideia de progresso.

Referência: LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

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