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Inspirado no álbum de 1979 da banda inglesa de rock progressivo Pink Floyd, a película The Wall foi lançada em maio de 1982, com a direção de Alan Parker e estrelado pelo músico Bob Geldof. O filme, assim como o álbum homônimo, conta a saga do jovem Floyd Pinkerton, também conhecido como Pink. O mesmo é um famoso artista que durante uma turnê de sua banda nos Estados Unidos, tem um colapso emocional que o faz se isolar em seu quarto de hotel. Ao mesmo tempo, ele constrói uma espécie de “muro” em sua mente, o afastando totalmente da realidade.

O filme é contado em duas partes: a primeira mostrando os motivos que o levaram a ter esse colapso e construir o “muro”, como a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial, a mãe super protetora, a sua educação escolar autoritária e a traição de sua esposa. No segundo momento, é mostrado os resultados desse isolamento, onde ele tem alucinações em que vê as figuras que ele culpa por estar assim (principalmente sua mãe e esposa) como monstros e se enxerga como um ditador totalitário.

O ponto mais marcante do filme é a sua profunda crítica à modernidade e a sociedade ocidental. Elementos como o consumismo que usamos “para preencher os espaços vazios”; nosso modelo de ensino baseado numa relação de opressão entre o professor e o aluno; o sistema judicial onde os juízes “defecam” suas sentenças em cima dos réus; a nocividade das relações interpessoais, onde os indivíduos “devoram” uns aos outros até alguém ser totalmente consumido; entre outras críticas.

Outro fato abordado pela obra são os governos totalitários. No filme, Pink vai realizar um show, mas ele se enxerga como um ditador realizando um discurso de ódio contra “aqueles que não me parecem certos”, como judeus, negros e homossexuais. Nessa cena, podemos perceber várias características do chamado Ur-Fascismo. Em sua obra Cinco Escritos Morais (1995), Umberto Eco teoriza sobre os elementos que formam a ideologia por traz de governos como o fascismo italiano, o nazismo alemão e o franquismo espanhol, que ele denomina de Ur-Fascista ou Fascismo Eterno.

Inspirado num dos mais importantes álbuns da indústria musical (vendeu mais de 30 milhões de cópias até hoje), The Wall é uma obra que nos permite analisar diversos elementos de nossa sociedade e compreender o totalitarismo, que de acordo com Eco, é o dever de todos combatê-lo e desmascará-lo. Sendo assim, essa é a nossa indicação de filme da semana.

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