Cinema brasileiro: Das origens à Retomada

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Cinema Brasileiro

Keline Pereira Freire

Graduanda em história pela Universidade Federal de Sergipe.

Bolsista do Programa de Educação Tutorial do curso de História (PET/FNDE/MEC).

E-mail:  kelinepereira1@gmail.com

Lançada em 2005, sob autoria do historiador Sidney Ferreira Leite, a obra Cinema brasileiro: das origens à Retomada integra a coleção História do povo brasileiro que, tendo lançado mais de dez volumes, se propõe a oferecer através das obras uma visão alternativa e de linguagem acessível sobre os diversos momentos e aspectos da história do Brasil. Sidney Ferreira, atualmente professor do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, buscou nesta obra, a exemplo de Jean-Claude Bernardet e Fernão Ramos em algumas de suas produções, fazer uma reconstrução da trajetória histórica do cinema brasileiro, diferenciando-se, porém, em  datar essa análise das primeiras produções no início do século XX, até os anos finais da fase chamada de “Retomada do cinema brasileiro”, em 2005 e, principalmente, entender porque a produção fílmica no Brasil não se constituiu em uma indústria cinematográfica bem estabelecida, como se pode notar nos Estados Unidos e na Índia, com suas Hollywood e Bollywood respectivamente.

Para isso o autor considerou as películas produzidas e suas diversificações ao longo da historia, os grandes estúdios de cinema, os diversos movimentos cinematográficos ocorridos no país, sem desconsiderar é claro, os acontecimentos políticos e sociais do Brasil e do mundo que, por ventura, pudessem contribuir para a compreensão destes fatos. A obra apresenta-se dividida em cinco capítulos além da introdução e da Cronologia, tópico final onde o autor destaca os fatos ocorridos em cada ano de sua abordagem que vai de 1895 a 2005.

Em suas considerações introdutórias que ele intitulou como, Indústria cinematográfica: Hollywood e Bollywood, o professor se detém a analisar o processo de formação e desenvolvimento das empresas estadunidense e indiana de cinema, mostrando seu êxito e realizações, para, a partir de então, estabelecer a questão que norteia seu livro, Porque no Brasil não foi possível a formação de uma indústria de cinema como nesses países? Partindo para o capítulo inicial, sobre a formação do cinema no Brasil, Ferreira Leite aborda a chegada do cinema no país, o contexto que possibilitou as primeiras produções nacionais e sua manutenção principalmente através dos Cinejornais e documentários. No que se segue em As imagens luminosas, ele destaca a atuação do estado na atividade cinematográfica, à censura que advém a partir disso, além das realizações do chamado Cinema Educativo.

Falando sobre a ‘’Era dos estúdios’’ na produção de filmes no Brasil, o autor concentra sua abordagem nas décadas de 1950 e 1960, principalmente, para falar do processo de formação e da atividade de estúdios como Cinédia, Atlântida e Vera Cruz, estabelecendo as distinções das películas produzidas por essas empresas e as motivações que levaram a interrupção de seus ciclos de realizações.

No terceiro capítulo nomeado A época de ouro do filme e do cinema nacionais o autor notabiliza os movimentos cinematográficos, principalmente, dos anos que compreenderam a ditadura militar no Brasil, em que, rompendo com o padrão anterior que priorizava seguir os modelos de produção das películas Hollywoodianas, o cinema brasileiro busca uma liberdade de expressão e se coloca a disposição para mostrar os problemas sociais e políticos do país. Dentre os movimentos destacados estão o Cinema Novo, com ênfase para as realizações de Glauber Rocha, o Cinema Marginal, além das pornochanchadas produzidas pelo movimento da Boca do Lixo em São Paulo.

No quinto e último capítulo da obra o professor discorre sobre os últimos anos da cronologia de sua abordagem, isto é, a Retomada das realizações cinematográficas no Brasil na década de 1990. A produção de filmes, abalada em considerável medida pelas iniciativas do presidente eleito em 1989, Fernando Collor de Mello, entre elas, a extinção da Embrafilme, principal órgão de produção de películas no período, volta a ocorrer de forma mais continua a partir de 1993 com a ascensão do ministro da cultura Sérgio Paulo Rouanet e a implantação das leis de incentivo a produção audiovisual. Segundo o autor a diversificação das produções deste período e suas características consideradas mais comerciais, distanciam-se das realizações dos movimentos cinematográficos das décadas anteriores.

Em suas considerações finais Sidney Ferreira Leite conclui que a falta de uma política cultural mais ampla, somada a descontinuidade dos diversos ciclos de produções que o cinema brasileiro presenciou e a falta de ligação entre eles, além do fato de muitos destes movimentos não possuírem um apelo popular que pudesse fazer frente à concorrência das produções estrangeiras, sempre presentes nas salas do cinema nacional, podem responder o por quê de no Brasil não ter se formado uma indústria cinematográfica como nos Estados Unidos e na Índia.

A obra Cinema brasileiro: das origens à Retomada, apesar de concisa para o corte temporal levantado, contendo apenas 159 páginas, constituí-se em um interessante material para os que se interessam em entender aspectos do cinema brasileiro em suas diversas épocas e as diversificações deste com as produções em outras partes do mundo. Os movimentos que empreendeu, suas produções e as ligações das realizações da sétima arte com os diversos momentos da história do Brasil.

 Referência bibliográfica:

LEITE, Sidney Ferreira. Cinema Brasileiro: das origens à Retomada. – 1ª. Ed. – São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2005. – (Coleção História do Povo brasileiro).

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Uma resposta a Cinema brasileiro: Das origens à Retomada

  1. Hosting disse:

    Segundo o critico e historiador Jean-Claude Bernardet , “nao e possivel entender qualquer coisa que seja do cinema brasileiro se nao se tiver em mente a presenca macica e agressiva, no mercado interno, do filme estrangeiro.”

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