Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial

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Thaís da Silva Tenório
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe
Bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET/FNDE/MEC)

Quando se estuda a Segunda Grande Guerra no ensino médio, pouco se fala sobre a participação do Brasil nesse conflito. Um dos aspectos relacionados a tal período e que estudamos de forma superficial é a participação da FEB – Força Expedicionáriague Brasileira, conhecidos como “pracinhas”. Em seu livro Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial, publicado em 2005 pela editora Jorge Zahar, Francisco César Alves Ferraz, narra a participação do Brasil no conflito, mostrando assim que a mesma vai além do que se sabe sobre os pracinhas brasileiros.

Francisco César Alves Ferraz nasceu no estado de São Paulo, em 1964, na cidade de Bauru. É doutor em História pela USP – Universidade de São Paulo e atualmente é professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina- PR (UEL). Atuando em áreas diversas, Ferraz pesquisa desde Ensino de História à Segunda Guerra mundial com ênfase na atuação do Brasil.

Dividido em dez capítulos, Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial leva aos leitores outra visão da participação do Brasil no conflito. Participação que às vezes passa despercebida, mas não anula o fato de que entre os anos de combate o Brasil foi um ponto estratégico, sendo cobiçado seu apoio tanto pelas nações do Eixo quanto pelos Aliados.

Inicialmente, o Brasil manteve uma posição neutra, não tomando partido por nenhum lado, entretanto era notória a simpatia do governo Vargas com os regimes fascistas, apesar de defender fielmente a democracia, os direitos humanos e a liberdade. Ferraz diz que Vargas reagia como os regimes totalitários para manter a ordem em seu governo, entretanto sua posição era liberal, para manter a simpatia da população. Sua entrada definitiva no grande conflito se deu com os torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarino alemães. Em 31 de agosto de 1942 o Brasil declarava formalmente guerra as nações do Eixo.

“O Baependi foi sua primeira vitima, em 15 de agosto de 1942. Na mesma noite, duas outras embarcações brasileiras teriam igual destino. (…). Em 22 de agosto, o Brasil declarava estado de Beligerância contra Alemanha e a Itália. Em 31 de agosto, declarava formalmente guerra a esses países” (FERRAZ, 2005, p.41).

A partir do ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial, vários setores que já estavam sendo movimentados ganharam um impulso a mais, com os investimentos vindos dos EUA. A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte foi um grande pólo, como também os estados que compunham a área norte e nordeste do Brasil foram alvo de grandes investimentos, pois significavam pontos estratégicos de saídas para o mar.

Além de todo o investimento e movimentação causada pelo conflito, o autor nos mostra como os Estados Unidos influenciou o Brasil, culturalmente e economicamente. Através da disseminação do American Way of Life os EUA propagava o estilo e a ideologia americana no cotidiano brasileiro. Ferraz em seu livro dá uma dimensão de como o Brasil se modificou nos anos do Segundo Grande Conflito. Tanto em desenvolvimento industrial – promessa dos EUA para conseguir apoio do Brasil na Guerra, onde tal potência propôs a construção de um complexo siderúrgico em Volta Redonda – quanto cultural, ideológico.

Nos últimos capítulos do livro o autor dedica-se a descrever a ida dos pracinhas para o front. Desde a convocação ao treinamento, ele nos dá uma noção do quanto os integrantes da Força Expedicionária Brasileira eram despreparados para aquele tipo de combate, sejam tanto pelo treinamento, condições de saúde e, principalmente, pelos equipamentos, muitos desconhecidos pelos soldados até então. Ele nos dá um fato curioso, sobre a origem do termo “A cobra vai fumar”, uma hipótese seria porque Hitler em um pronunciamento disse que o Brasil só conseguiria enviar tropas para a Guerra quando uma cobra fumasse um cachimbo, como podemos ver no trecho abaixo:

“Adolf Hitler teria afirmado que somente quando uma cobra fumasse cachimbo o Brasil conseguiria enviar seus homens a guerra, tamanha incapacidade brasileira. Essa é uma das possíveis versões para o surgimento do lema e do distintivo que a Força Expedicionária Brasileira usou na Itália” (FERRAZ, 2005, p.51).

Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial é um livro de fácil leitura e compreensão. Com 78 páginas, o autor consegue descrever aspectos gerais a respeito do Brasil no front, levando ao leitor a possibilidade de uma reflexão a respeito deste período. Por se tratar de um livro relativamente pequeno e de escrita clara é indicado para pessoas que pesquisam sobre a Segunda Guerra Mundial, Brasil na Segunda Grande Guerra, ou também para curiosos interessados por conhecer um pouco mais sobre este marcante fato do século XX. 

Referencia bibliográfica:

FERRAZ, Francisco César Alves. Os brasileiros e a segunda guerra mundial. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005

 

 

 

 

 

 

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