Revoluções de século 20: A Revolução Venezuelana por Gilberto Maringoni

  • Facebook
  • Twitter
  • Orkut
  • Delicious

Keline Pereira Freire
Graduando em história pela Universidade Federal de Sergipe.
Bolsista do Programa de Educação Tutorial do curso de História (PET/FNDE/MEC).
E-mail kelinepereira1@gmail.com

A obra ‘’A Revolução Venezuelana’’, de Gilberto Maringoni, faz parte da coleção,u ‘’Revoluções do século 20’’, dirigida pela professora Emília Viotti Da Costa e publicada pela editora UNESP em 2009. O livro faz uma abordagem geral sobre a história política da Venezuela, desde os anos da ditadura iniciada em 1948 com o fim do Triénio Adeco até o ano de sua publicação. O destaque da obra, no entanto, é a atuação política de Hugo Chávez a partir de sua eleição em 1998. O autor faz uma análise das ações governamentais do líder venezuelano, buscando entender se o conjunto destas significou uma revolução para a República Bolivariana no século XX, ou se essa revolução ainda está em curso no século XXI.

Ao longo da obra, Gilberto Maringoni revela vários aspectos do governo Chavista, que desde que foi instituído se propôs fazer uma revolução na Venezuela. As transformações sofridas pelo país são perceptíveis, Maringoni relata os avanços na economia, diminuição das taxas de analfabetismo, melhorias na qualidade de vida da população, consolidação da nação como grande exportadora de petróleo para o mercado Latino, entre outras. Hugo Chávez se tornou um dos mais importantes, se não o mais importante, governante da América do Sul na última década, suas atitudes revolucionárias e seu carisma fizeram dele uma figura extremamente popular e polêmica.

   Ao mesmo tempo em que era adorado pela maior parte da população de seu país a ponto de vencer 90% das eleições e referendos aos quais concorreu, Chávez foi também polêmico. No comando da Venezuela ele acabou com 40 anos do Pacto de Punto Fijo, assumiu sem restrições o seu pensamento de esquerda e propôs instalar no país o que ele chamou de Socialismo de século XXI. Guiado por estas ideias, Chávez promoveu mudanças intensas e mexeu consideravelmente com estruturas já bastante firmadas na Venezuela. Ele estatizou empresas dos mais diversos setores da economia da nação, entre o principal deles o Petróleo – maior fonte de renda do país – acabou com o monopólio de emissoras de TV, demitiu publicamente fortes autoridades do exército. Além disso, era um total defensor do nacionalismo e crítico ferrenho e declarado do imperialismo norte-americano.

Talvez por isso, ou especialmente por isso, Chávez sempre tenha tido uma forte oposição em seu país e fora dele, principalmente das camadas mais altas da população, sendo muitas vezes visto como um ditador e tendo o seu mandato ameaçado por uma tentativa de deposição em 2002. Se todas essas iniciativas significaram ou não uma revolução para a Venezuela, é a grande questão.  Para respondê-la Maringoni reservou os dois últimos capítulos de sua obra intitulados ‘’ Para onde vai a Venezuela?’’ e ‘’ Inconclusões’’. A sugestividade dos títulos já revela a posição do autor, que levando em conta que todo e qualquer percurso está sujeito a mudanças, considerou que o futuro do país era ainda incerto.

   Fato desconhecido e talvez impensável para Gilberto Maringoni na época da elaboração de sua obra, foi a morte de Hugo Chávez em 5 de março de 2013.  consequente passagem do poder para o vice-presidente Nicolás Maduro e a atmosfera de crise, conflito e insegurança que se instalou na Venezuela desde então. A crise teve início no dia 12 de Fevereiro de 2014 quando estudantes da oposição, comandados pelo líder de direita Leopoldo Lopez, resolveram sair as ruas de Caracas para uma manifestação contra a criminalidade, a escassez de produtos, a alta inflação e a permanência de Maduro no poder. A partir de então vários acontecimentos se desencadearam e provocaram uma intensificação das manifestações, entre eles, a prisão de Lopez acusado de homicídio, e as várias mortes e denúncias de tortura atribuídas ao governo. O ambiente era dividido, os Chavistas apoiadores de Maduro encaravam a situação como uma tentativa de golpe de estado e tomada de poder por parte da oposição – os Antichavistas – que veem Maduro tão ditador quanto Chávez e pediram com veemência sua renúncia.

Recentemente uma comitiva de políticos brasileiros, entre eles o candidato a presidente da república nas últimas eleições, Aécio Neves, foi barrada na Venezuela. Segundo noticiários a comitiva foi cercada por manifestantes, simpatizantes do governo Maduro, quando se dirigiam a um presídio para visitar Leopoldo Lopez. Entre os gritos de manifesto estavam um sonoro ‘’Chávez não morreu’’.

O episódio comprova que apesar de atualmente os conflitos estarem amenizados, a situação política do país ainda é de incerta, e como sugeriu em suas ‘’ inconclusões’’ Gilberto Maringoni, a Revolução da Venezuela é ainda um livro a ser concluído.

 

Referência bibliográfica:

MARINGONI, Gilberto. A Revolução Venezuelana. In: VIOTTI da Costa Emília (ORG).  Revoluções de século 20. São Paulo: UNESP, 2009.

No TweetBacks yet. (Be the first to Tweet this post)

Share and Enjoy

Esta entrada foi publicada em Atividades, Livro da Semana, Publicações e marcada com a tag , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>