Paris, A Festa Continuou: A vida cultural durante a ocupação nazista

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Thaís da Silva Tenório
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe
Bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET/FNDE/MEC)

Em 1940 Paris é ocupada pelas tropas alemãs, modificando todo seu contexto social. Como sobreviver sob a ocupação nazista? O que isso significou e como afetou a França? Alan Riding responde a essas e outras perguntas em seu livro Paris, a festa continuou: a vida cultural durante a ocupação nazista – lançado em 2012 pela editora Companhia das Letras.

O jornalista Alan Riding nasceu em 08 de dezembro de 1943 no estado do Rio de Janeiro,download Brasil. Antes de se interessar por jornalismo estudou economia e direito. Foi correspondente na América Latina do jornal Financial e posteriormente do New York Times, estabelecendo-se como correspondente cultural europeu em 1989 na cidade de Paris. Além da obra analisada, o autor também escreveu Distant Deighbors: A Portraitod the Mexicans, Eyewitness Companions: Opera, entre outros.

Falemos agora especificamente da obra: até meados da década de 1970, grande parte da sociedade francesa optou por cultivar a idéia de que teria realizado uma resistência a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial, em 1940. Os franceses preferiram conservar a idéia de que agiram como bravos lutadores da resistência, imagem essa que, apesar de ter gerado ganhos políticos ao general De Gaulle no pós-guerra, não se explica somente por isso. A adoração da resistência estava diretamente associada ao desejo francês de esconder um período vergonhoso de sua história. Contrariando esta memória criada pela sociedade francesa, a obra de Riding desconstrói essa ideia, mostrando que a postura dos cidadãos franceses não foi exatamente a de bravos militantes da resistência.

Ao longo de 17 capítulos, o autor faz uma análise da intensa vida cultural de Paris no período da ocupação nazista (1940 – 1945). Aborda desde o florescimento cultural que sempre foi muito forte em Paris, citando artistas como Josephine Baker, Van Gogh, Vaslav Nijinski, entre outros, até os resultados de todo o processo de ocupação e desocupação da França na II Grande Guerra. Ele também mostra que a insatisfação com a guerra não foi um sentimento que abrangeu toda a população. Ao contrário do que acontecia em outros países, que se recolhiam com o perigo da guerra, Paris viveu uma intensa movimentação cultura: cinemas, cabarés, teatros… Existiam ainda debates filosóficos sobre o momento em que estava sendo vivido, mas nada que ultrapasse o campo das ideias. Neste especo, também haviam aqueles que só queriam lucrar com as políticas de ocupação nazistas.

Outro ponto que vale a pena ressaltar é o preconceito existente entre os parisienses, o que de fato é estranho, pois Paris era a cidade que mais recebia artistas das mais diversas partes do globo. Alguns artistas neste momento se dirigiam a “cidade  luz tanto para expandir sua arte como para se refugiar da guerra. Esta elevação no número de estrangeiros facilitou o fortalecimento de reações de anti-semitas, acompanhado dos ideais do regime fascista, conquistando não somente a camada popular como também muitos dos pensadores da época.

Após a leitura da obra podemos entender alguns aspectos da capital francesa, como as placas em homenagem à resistência, louvando os embates do período de maio a agosto de 1944, um pouco antes da expulsão das tropas nazistas. A nação francesa só se levantou de seu “sono profundo” contra os invasores quando o fim da guerra já era esperado, após o desembarque das tropas aliadas no famoso Dia D, em 06 de junho do corrente ano. Riding apresenta a ocupação não só como brutal, violenta e repressiva, mas um ato que conquistou apoio, estimulando aspectos culturais vistos como legítimos pela sociedade. 

Apresentando uma síntese do que foi a França no período que compreende 1940 a 1945,  Paris, a festa continuou: a vida cultural durante a ocupação nazista é um livro de linguagem agradável, acessível, atingindo os mais variados públicos. Didático, direto e objetivo, apresenta ao leitor curioso um excelente panorama das dualidades vivenciadas na “cidade luz” em meio ao maior conflito do século XX.

 

Referencia bibliográfica:

RIDING, Alan. Paris, a festa continuou: a vida cultural durante a ocupação nazista, 1940-4. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

 

 

 

 

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