Mafalda: símbolo da resistência da América Latina

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Thaís da Silva Tenório
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe
Bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET/FNDE/MEC)

Criada pelo cartunista Joaquín Salvador Lavado – Conhecido como Quino – Mafalda é uma personagem de quadrinhos argentina que nos anos 1970, década politicamente conturbadano-pasaran-mafalda na América Latina, ganhou grande visibilidade devido as suas críticas ácidas e seu humor sarcástico advindos de uma criança que, segundo Umberto Eco, “não aceita o mundo como ele é e reivindica seu direito de continuar a ser uma menina e se recusa a assumir um universo corrompido pelos pais”.

No momento de sua criação, Quino não tinha a intenção de dar a baixinha argentina um cunho político, revolucionário. Na realidade ela nasceu em 1962 para uma estratégia de marketing na propaganda dos eletrodomésticos de uma empresa denominada Mansfield. Em pouco tempo sua fama se alastrou pelo país, dando a oportunidade para que o cartunista abandonasse o teor publicitário e pudesse se dedicar as críticas sociais que já estavam implícitas nas tirinhas anteriores, quando o foco ainda era a propaganda. Mafalda estreia oficialmente em 29 de setembro de 1964 em um cartum fixo na revista semanal Primavera Plana.

Já na década de 1970 a literatura sul-americana ganhava cada vez mais visibilidade, fazendo com que a atenção dos intelectuais da sociedade europeia e norte-americana se voltasse para o hemisfério Sul das Américas. A partir disso, a baixinha argentina se torna uma espécie de símbolo da resistência contra desmandos políticos-ditatoriais, sendo um espelho da classe média latino-americana e da juventude progressista.

Mafalda encantou a elite intelectual com sua visão questionadora do mundo, colocando em evidência tanto questões comportamentais, relações familiares e sociais, além de abordar de forma sutil e rigorosa a situação política do mundo, dando maior destaque a América Latina – Que nesse momento vivia duras ditaduras militares em choque contra ações de grupos terroristas radicais.

Mafalda é uma criança da típica família de classe média que tenta expor suas ideias sobre a realidade de seu tempo. Com uma boa dose de humor, a garotinha critica a atitude de seus pais perante a sociedade, volta suas preocupações para a humanidade, questiona-se a respeito dos problemas políticos, de sexo e até científicos. No entanto, o que manteve e mantém ainda hoje sua visibilidade, não é seu discurso político e sim seu caráter humano. Ao demonstrar sentimentos, sejam de revolta, compaixão, ou de outra natureza, Mafalda se aproxima de questões pessoais que atingem o leitor, fazendo reflexões às vezes pessimistas a respeito do curso da humanidade. 

Os quadrinhos de Mafalda e sua turma deixaram de ser produzidos em 25 de junho de 1973, entretanto a imagem de uma menina inteligente, questionadora permanece em evidência até os dias de hoje, pelo fato de que suas historietas tratam de temas cotidianos, que nos fazem sorrir e pensar: as guerras mundiais, o engarrafamento no transito, o alto custo de vida, o aprendizado escolar, etc. Ao ler Mafalda, o leitor deve-se ater ao que está nas entrelinhas de uma história que é muito mais complexa do que parece.

Em 2014, na comemoração de seus 50 anos, muitas foram as homenagens recebidas em diversas partes do mundo, para aquela que se tornou um símbolo de resistência na América Latina. Uma menina petulante, fonte inesgotável de perguntas sem respostas a respeito da sociedade do século XX. Perguntas essas que após cinco décadas permanecem coerentes.

 

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