Os EUA e a propaganda no filme Captain America

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Thaís da Silva Tenório
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe
Bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET/FNDE/MEC)
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/CNPq/UFS)
Orientador: Prof. Dr. Dilton Maynard (DHI/UFS).
E-mail: thais@getempo.org.

Lançado em 2011 pela Paramount Pictures, o filme Captain America: The First Avenger (Capitão América: O Primeiro Vingador), sob a direção de Joe Johnston, conta a história do nascimento do herói estadunidense Capitão América.

 A trama narra a história do jovem Steve Rogers – interpretado pelo ator Chris Evans – nascido durante a Grande Depressão de 1929, um garoto franzino que cresce em uma família pobre. Ao ver uma propaganda que mostrava a ascensão nazista na Europa – Que ocorreu em meados da década de 30 – Rogers se inspira, e decide alistar-se no exército americano. Entretanto, o jovem possuidor de uma saúde frágil, é rejeitado várias e várias vezes. Em uma de suas tentativas, Rogers é reprovado novamente, no entanto ele recebe a oferta de participar da Operação Renascimento – que consistia num programa especial americano para desenvolver super-humanos. Depois de semanas de testes ele recebe o soro do supersoldado e é bombardeado por uma carga de raios especiais, denominados Raios Vita. O jovem surge do tratamento totalmente transformado e é submetido a intensos treinamentos físicos e táticos, tornando-se o Capitão América, o Sentinela da Liberdade. Um super-herói que sairá para enfrentar as forças nazistas da Hidra e seu chefe militar, o Caveira Vermelha – Interpretado pelo ator Hugo Weaving.

O filme se passa em meados do século XX, quando o mundo se torna palco do que vem a ser um dos maiores conflitos da humanidade, a Segunda Guerra Mundial – Que por sua vez dividiu o mundo em dois blocos: As nações do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e as nações Aliadas (França, Inglaterra, União Soviética, Estados Unidos, Brasil, entre outras).

Em 1941, ano em que os Estados Unidos entram na Guerra, a luta contra as potencias do Eixo exigiu uma grande mobilização ideológica e econômica interna. Após uma operação aeronaval de ataque à base norte-americana de Pearl Harbor, efetuada pela Marinha Imperial Japonesa na manhã de 7 de Dezembro de 1941, a febre patriótica estava em alta. Milhares de jovens, homens e mulheres alistaram-se nas Forças Armadas. Um apelo por trabalhadores da defesa civil rendeu 12 milhões de voluntários, e o curioso foi que a população aceitou com certa passividade o racionamento de comida e produtos essenciais para sobrevivência. Cerca de 25 milhões de americanos compraram títulos do governo, que foram usados para financiar a Guerra. Muitos estadunidenses acreditavam que realmente era uma guerra do povo.

Para ajudar na propagação desse objetivo, foi criado nesse mesmo ano o personagem de História em Quadrinhos, Capitão América. Tal herói chegou até a população com o intuito de auxiliar na propaganda ideológica, promovendo a imagem dos EUA como o grande salvador da Guerra, e despertando nos cidadãos o desejo de ir defender o país no front. Assim como nos quadrinhos, no filme o herói aparece vestindo as cores da bandeira americana, sem portar nada mais do que um capacete e um escudo.

Analisando esses dois últimos aspectos, podemos entender a imagem que os criadores do super herói (Joe Simon e Jack Kirby) queriam promover ao apresenta-lo desta forma: Capitão América representa uma nação, que assim como ele, é incapaz de atacar o outro, a não ser que isso seja pelo “bem comum”, ou para “se defender e defender os demais”. Isso nos leva a pensar sobre a política externa dos Estados Unidos no decorrer de sua trajetória, onde por vezes a nação se apresenta como “a polícia do mundo”, entrando em conflitos que não os pertencem para “ajudar” o lado mais fraco, atacando os demais.

“A criação do Capitão América foi uma esperteza de mercado da editora [Timely Comics]. No período, o governo dos EUA incentivou, com descontos em impostos, quem fizesse propaganda ideológica norte-americana”, explica o quadrinista e historiador Sávio Queiroz Lima, que pesquisa HQs e suas relações com a história.

Podemos observar como o filme aborda a questão da propaganda ideológica feita no período da Segunda Grande Guerra, quando em um determinado momento da película, Rogers está andando no parque e se depara com o famoso cartaz do Tio Sam “I Want You for U.S. Army”. A mensagem é quase instantânea, e logo após vê-la Rogers parte em mais uma tentativa para ser aceito no exército americano. No decorrer da produção podemos identificar, além do cartaz, outros elementos que ajudaram na disseminação do nacionalismo entre a população: comerciais nos cinemas que davam notícias sobre a Guerra, os musicais nos teatros com canções que exaltavam o exército americano e instigavam a todos a colaborar de alguma forma com a guerra, entre outros.

A produção cinematográfica traz à tona diversos temas que evocam a Segunda Guerra Mundial: o nazismo, o papel da mulher na Guerra, a espionagem. Entretanto o tema mais visível, ou mais perceptível é a entrada dos EUA na II Guerra Mundial e a propaganda ideológica que levou jovens a largarem suas famílias para “salvarem o mundo” ao lado do exército americano.

Este aspecto em especial, de Captain America: The First Avenger, não esgota as possibilidades de interpretação e uso ou as intenções do seu diretor. Temos por objetivo provocar uma discussão sobre o papel do filme no estudo da História, levantando a viabilidade de analisar como os EUA mobilizaram sua população em prol da Guerra através da propaganda, e assim como a possibilidade de estudar como essa sociedade viu sua participação na II Grande Guerra.

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Uma resposta a Os EUA e a propaganda no filme Captain America

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