Gabriela Resendes Silva
Graduada em História (UFS)
Integrante do GET (UFS/CNPq)
E-mail: gabriela@getempo.org
Orientador: Prof. Dr. Dilton Maynard

O Brasil, conhecido por sua pluralidade étnica e cultural, tem sido palco de cenas de intolerância para com negros, homossexuais, nordestinos. As eleições presidenciais de 2014 vêm demonstrando o quanto alguns segmentos da sociedade brasileira são preconceituosos, xenófobos e racistas. Desde o início do processo eleitoral a dicotomia “vilão” versus “mocinho” tomou espaço nas ruas, nas instituições e, principalmente, nas redes sociais, ambiente central de disseminação da violência e do ódio.

É perceptível o quanto posicionamentos conservadores de direita, respaldados, na maioria das vezes, em fundamentalismos, ganharam espaço nos debates televisivos, nas redes sociais e até mesmo em alguns segmentos da imprensa brasileira, que nesta campanha eleitoral, rompeu com seu compromisso com a busca da imparcialidade e com a defesa da democracia. Nos últimos meses, preconceitos que habitam o inconsciente (e em determinados casos, o consciente) de alguns brasileiros, vêm sendo camuflados como “direito de expressão”. Confunde-se, com demasiada freqüência, direito de opinar com liberdade para discriminar.

Inúmeros são os embates entre os que são “pró-governo” e os que defendem a “mudança”. Nas redes sociais, nas manifestações de rua, se pode constatar a “batalha de ódio” que se trava no país. O nível de discussão, nos momentos de exaltada militância, ultrapassa a linha da racionalidade, do respeito e da tolerância. Expor a posição política, atualmente, pode ser algo até constrangedor, pois o diálogo e o respeito mútuo quase não aparecem nos debates, os quais podem ser facilmente confundidos com brigas. O outro vem sendo pouco considerado nesse mundo do “o meu é melhor do que o seu”, “eu sou mais inteligente do que você”, “pobre não sabe votar”, “sua região é atrasada e a minha avançada”, “Deus deixou o homem e a mulher”, etc.

 A tão falada/requerida “liberdade de expressão”, que o momento (em ano eleitoral todos somos muito politizados) e as redes sociais proporcionam – “protegidos” pelo “anonimato” da Rede Mundial de Computadores, a internet, alguns brasileiros se acham imbatíveis e donos da verdade –, é utilizada para a exposição de pensamentos e condutas nocivas ao bom convívio humano. O clima eleitoral aflorou antigos traumas brasileiros, feridas que muitos acreditavam estarem cicatrizadas.

Desta forma, mais do que a escolha de um Chefe de Estado, essas eleições representam a necessidade de repensarmos nossa sociedade e nossas condutas para com o próximo (independentemente de classe social, etnia, opção sexual, crença religiosa). As relações humanas, nesse processo singular na história política do país, expuseram suas fragilidades. Onde será que erramos? Não era para “amarmos o próximo como a si mesmo”? Propagarmos para as futuras gerações o respeito, a tolerância?

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