O Ilusionista

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Produzido nos Estados Unidos, dirigido por Neil Burger e lançado no dia 8 de dezembro de 2006, o filme O Ilusionista teve roteiro e edição de Burger e Steven Milhallser. Desse modo, drama, romance e suspense marcam a trama, pois esta envolve o público através de surpreendentes desfechos utilizando-se de prestidigitação.

Se hoje a magia é vista como produtora de Arte Cênica, nem sempre ela teve essa conotação. Outrossim, há ilusionismo no mundo muito antes do que se imagina, pois já na Antiguidade, os faraós interagiam com sábios através de conhecimentos científicos capazes de produzir truques impressionantes até os dias atuais, por exemplo, imagens projetadas em três dimensões. De maneira idêntica, isto fica evidente na película por meio de técnicas utilizadas pelo mágico para produzir “espíritos” aplicando conhecimentos de refração da luz.

Além disso, a abordagem de Burger pode remeter a uma analogia com o estudo das diversas perseguições realizadas por inquisidores na Idade Moderna, visto que assim como no roteiro de O Ilusionista, os oprimidos do século XVII precisavam a todo momento provar que não tinham envolvimento com poderes sobrenaturais, salvando-se ou não de condenações.

Portanto, durante milênios Mágica e Ciência integravam uma só disciplina, uma vez que o conhecimento secreto foi utilizado tanto para o progresso de civilizações quanto para a defesa dos povos e demonstração de poderes, simulados graças a engenhosos efeitos. Ou seja, o estudo das artes milenares comprova as diversas utilidades de um aparentemente despretensioso espetáculo, do qual pode-se retirar informações a respeito do funcionamento de uma sociedade.

Referências:

DA SILVA, Felipe Thiago Teixeira. Abracadabra: História da Mágica e dos Mágicos. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2014.

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Negação (Denial)

denial-poster-600x901Produzido em 2016 e lançado no Brasil em março de 2017, o filme Negação (Denial) tem como diretor Mick Jackson e conta com um roteiro produzido pelo dramaturgo britânico David Hare. Com os gêneros drama, crime e biografia, a película, de nacionalidade norte-americana e britânica, tem seu elenco composto por atores como Rachel Weisz, Timothy Spall, Andrew Scott e Tom Wilkinson. O longa-metragem possui uma duração de 1h50min.

Baseada em fatos reais, a produção se dedica a contar a história do processo judicial movido pelo historiador britânico David Irving, um negacionista do Holocausto, contra a historiadora norte-americana Deborah Lipstadt, professora de Judaísmo Moderno e Estudos sobre o Holocausto na Universidade Emory, em Atlanta. Na ocasião, Irving alegou que Lipstadt havia lhe difamado ao acusa-lo de distorcer os fatos ocorridos contra os judeus na Alemanha Nazista. O caso ocorreu em Londres, entre os anos de 1996 e 2000, e Irving saiu derrotado.

Dentre alguns temas que podem ser levantados a partir do filme, o principal deles é o Negacionismo. Tratam-se de teses, formuladas principalmente nos Estados Unidos e na Alemanha, que buscam negar o Holocausto aos judeus nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Motivados por racismo, posicionamentos políticos, antissemistismo e ligados a uma extrema direita, os negacionistas argumentam que: não houve genocídio e as câmaras de gás não existiram; as mortes do judeus foram ocasionadas por questões naturais, por timo ou em decorrência dos bombardeios dos aliados; o número de mortos, para a maioria dos negacionistas, não passariam de mais de duzentos mil; o genocídio é uma propaganda dos judeus e dos aliados.

A fim de legitimar seus discursos, os negacionistas utilizam-se do relativismo histórico e argumentam que os historiadores admitem trabalhar com múltiplas interpretações, sem que se possa considerar um delas dotada de verdade.  Além disso, as barreiras psicológicas e a dificuldade de algumas pessoas em acreditar no extermínio aos judeus contribuíram para a justificação destes argumentos.

Levando em consideração estas questões, Negação torna-se uma boa dica de filme para alunos e professores de História que queiram entender um pouco mais ou abordar a temática do Negacionismo ao Holocausto, e para pesquisadores da Segunda Guerra Mundial.

 

Referências:

UNITED States Holocaust Memorial Museum. Combate à Negação do Holocausto: Origens do “Negacionismo”. Disponível em: <https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007273>. Acesso em: 17 ago. 2017.

Negacionismo e intolerância no final do século XX.  JESUS, Carlos Gustavo Nóbrega de. In: Anti-semitismo e nacionalismo, negacionismo e memória: Revisão Editora e as estratégias da intolerância, (1987-2003). São Paulo: Editora UNESP, 2006, p. 21-50.

 

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Uma Cidade sem Passado (The Nasty Girl)

            maxresdefaultO filme Uma cidade sem passado que na versão original chama-se The Nasty Girl é de 1989, tendo como diretor Michael Verhoeven. O elenco é composto por Barbara Gallauner, Elisabeth Bertram, Fred Stillkrauth, Hans-Reinhard Müller, Karin Thaler, Michael Gahr, Michael Guillaume, Monika Baumgartner, Robert Giggenbach, Willi Schultes e Lena Stolze (personagem principal). A história narrada baseia-se na história real de Anna Rosmus, natural de Passau (Alemanha) que aos dezesseis anos interessou-se por estudar História, especialmente por assuntos como o Terceiro Reich. Rosmus escreveu seu primeiro livro Resistance and Persecution – The Case of Passau, 1933-1939, que foi publicado em 1983. Em 1985, o diretor Michael Verhoeven interessou-se pela história de Anna, dando origem ao filme.

             A trama se passa num pequeno lugar chamado Pfilzing, cidade natal de Sonja, personagem interpretada por Lena Stolze. Sonja, aluna muito correta e aplicada, recebe uma proposta de sua professora para concorrer num concurso de redação cujo prêmio era uma viagem à França. O tema da redação foi “Minha cidade natal durante o Terceiro Reich”, o que levou Sonja a procurar informações sobre o tema para que assim, pudesse elaborar os escritos. Durante sua busca, a personagem sofreu uma dura perseguição por parte das elites locais e de alguns membros da Igreja que no passado, tiveram ligações diretas com os nazistas. Em busca da “documentação proibida”, Sonja chega a processar a própria cidade para que ela tenha acesso aos arquivos.  O nazismo é então o pano de fundo da película, abordado como um momento obscuro da história em que se tinha restrições e muitas verdades eram ocultadas.

             O trabalho desenvolvido por Sonja, nos faz indagar sobre o papel do historiador na sociedade e de como algumas atividades são difíceis de serem realizadas no cerne da pesquisa e na busca por fontes, sejam elas de estilos variados. Interligando com o livro Fontes Históricas, organizado por Carla Pinsky (2015), notamos as variadas fontes que estão suscetíveis ao ofício do historiador. No livro, são abordados temas como fontes documentais, arqueológicas, impressas, audiovisuais, dentre outras que servem de aparato imprescindível às pesquisas realizadas no âmbito acadêmico.

               Para além do diálogo com as fontes e a demanda que decorre em função das pesquisas nos arquivos, a memória é posta em evidência na película. Partindo do olhar de Michel Pollack (1989) e Henry Rousso (2006), notamos que o silêncio acontece como uma alternativa para o desconfortável, pois as autoridades utilizam mecanismos para silenciar aquilo que não é conveniente para eles em relação ao nazismo, e o esquecimento como um ponto para a “memória vergonhosa” que ainda se faz presente na vida dos moradores da cidade que vivenciaram o momento analisado por Sonja.

            O filme nos faz pensar a respeito de temas como ditadura, nazismo, entre outros, que, mesmo com as constantes produções acadêmicas realizadas, ainda sofrem algumas limitações, seja no tocante ao acesso dos documentos sobre eles ou mesmo na inexistência destes. Pensando nas possibilidades e de como os fatos históricos são construídos ou reconstruídos, podemos nos deparar com situações semelhantes às que foram vividas pela personagem Sonja, o que nos faz refletir ainda mais sobre a importância da história e do historiador na sociedade. Assim, Uma cidade sem passado é essencial para os historiadores que, recorrendo às fontes, realizam pesquisas em âmbito geral, proporcionando reflexões variadas que escapam nestas linhas.

Referência Bibliográfica: PINSK, Carla B. Fontes Históricas. 3. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2015.

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O Nascimento de uma Nação (1915)

       Discutir sobre racismo não é tarefa fácil. A discriminação racial é um fator característico da nossa sociedade, sendo assim intrínseco ao relacionamento entre diferentes culturas. O estranhamento no contato com o outro é esperado, mas a opressão sofrida pelos negros é uma questão especialmente latente, apesar das diversas políticas sociais de incentivo à resolução do tema. Exemplos de violência racial se fazem presentes a todo momento – principalmente na América do Norte – denotando que o problema não é apenas social, mas também uma construção histórica enraizada no imaginário coletivo. Assim, reviver o contexto sócio histórico do início do século XX, presente na obra de David Griffth, é essencial para entender como o racismo prevaleceu mesmo após o fim das políticas segregacionistas.

          Birth_of_a_Nation_theatrical_poster  O Nascimento de uma Nação é inspirado no livro ficcional The Clansman, de Thomas Dixon Jr., um romance histórico de legitimação da supremacia ariana e da necessidade de reforçar esse domínio através de grupos como a Ku Klux Klan. O filme é divido em duas partes de aproximadamente uma hora e meia cada, e se passa no século XIX pré e pós-Guerra de Secessão. A família nortista Stoneman e os sulistas Cameron, amigos antes do conflito, tornam-se inimigos nos campos de batalha. Com a vitória dos estados unidos do Norte, o Sul é posto sob a humilhação da derrota e o temor causado pela libertação dos escravos.

          A trama, a fim de reforçar todos os estereótipos possíveis, contrapõe a inocência, a bravura e a justiça do homem branco à devassidão, apatia e perversão do homem negro, além de retratar o oportunismo daqueles que usaram a causa racial como trampolim político.  Desta forma, a principal inspiração para o filme que inaugura a narrativa cinematográfica americana – um enredo que cresce até o clímax, desenvolvendo os personagens ao longo de uma narrativa focada na “guerra justa” ao elemento traidor – é o ódio racial justificado pela tensão do fim da escravidão após a Guerra Civil. Ao fim, os vitoriosos são os sulistas brancos, que conseguiram subjugar o negro além de conseguir provar aos estados do Norte a periculosidade que a liberdade escrava poderia trazer.

            Entretanto, apesar do teor apologético que a película construiu em torno da Ku Klux Klan e da imagem subversiva dada aos ex-escravos, a exibição do filme iniciada em 1915 incentivou a discussão sobre os direitos civis. O jornalista Dick Lehr, no livro The Birth of a Movement: How Birth of a Nation Ignited the Battle for Civil Rights (O Nascimento de um Movimento: Como O Nascimento de uma Nação inflamou a batalha pelos Direitos Civis, tradução livre), conta a respeito do embate de Griffth com Monroe Trotter, jornalista cujo pai serviu no primeiro regimento formado de apenas soldados negros para lutar pelo Norte durante a Guerra de Secessão. Monroe vai percorrer uma verdadeira odisseia contra a exibição do filme, conseguindo boicotá-lo e até suspender a sua exibição durante um tempo. Entretanto, o sucesso da obra de Griffth é inegável, arrecadando aproximadamente cem vezes mais o valor do seu orçamento. As inovações trazidas por Griffth quanto ao posicionamento da câmera dentro e fora do estúdio, além da evolução quanto à idealização de um enredo épico, reafirmam a riqueza da obra como um todo.

      Concluo que precisamos separar o filme do seu teor e relativizar a sua contribuição, seja para a indústria cinematográfica, seja ao debate acerca das questões raciais. O Nascimento de uma Nação foi o primeiro filme a ser exibido na Casa Branca, mas hoje criou-se um tabu em torno da sua reprodução – talvez porque a sua ideologia continue presente no território americano. Os avanços na discussão do racismo dependem do conhecimento deste passado, pois só assim poderemos discutir honestamente as raízes da discriminação e pensar em formas de combate-la. É muito difícil querer formar um ideal de democracia racial quando se ainda tem sujeira embaixo do tapete.

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O Livro de ELI (Albert e Allen Hughes)

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Lançado em 2010, O livro de ELI é um filme de nacionalidade americana, dirigido por Albert e Allen Hughes, com o roteiro de Gary Whitta. A película conta com um elenco composto por personalidades como: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis e Jennifer Beals. Têm como característica marcante a violência e o poder, o que é um traço peculiar nas produções dos irmãos Hughes, esta versa principalmente a respeito da influência do conhecimento e a capacidade de manipulação humana.

Eli (Denzel Washington) é um andarilho solitário que carrega consigo um livro, há 30 anos busca um lugar onde ele acredita que o conhecimento presente neste exemplar (o ultimo existente na terra) poderá ajudar na reconstrução do mundo. A história se passa em um ambiente “pós-apocalíptico” em uma terra devastada após uma guerra civil, que sofre com a escassez de alimentos, água e valores, onde negócios são realizados por escambo e dentre os poucos sobreviventes a maioria é analfabeta. Neste ambiente, obter conhecimento é o mesmo que ter uma “arma sobre mentes fracas”, como cita Carnegie (Gary Oldman) em um dos trechos do filme.

Portanto, esta é uma produção polêmica que pode gerir inúmeras discussões devido à amplitude das temáticas abordadas, além de criticar o uso do conhecimento para a manipulação em massa, trabalha questões como Intolerância religiosa e o consumismo, dentre estas destaca-se também a importância das fontes na construção da história. Sendo assim, essa película é um ótimo recurso didático para docentes que desejem trabalhar com qualquer uma das temáticas supracitadas.

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História e Memória (Jacques Le Goff)

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A obra “História e Memória” foi publicada em 1988, contendo escritos de 1977 e 1982 feitos pelo autor Jacques Le Goff. Este teórico reconstrói conceitos através de estudos que vão da Idade Antiga à Idade Contemporânea, com enfoque no pensamento dos escritores destas épocas.

Segundo Le Goff, manter conhecimentos armazenados na mente relacionados a funções psíquicas, psicológicas ou da Neurofisiologia, faz as pessoas reinterpretarem o passado, dando origem à memória coletiva, uma das principais formas de discutir História.

De fato, o Positivismo, a Escola dos Annales, história política, dos grandes heróis, dos bastidores, das guerras, entre outras; são temas abordados na obra. Do mesmo modo, a diversidade de documentos, o fim do monopólio das fontes escritas, a oralidade sendo reconhecida como relevante a partir de 1970, a evolução das maneiras de recontar o passado é mostrada com referências clássicas, por exemplo, Peter Burke, Heródoto, René Descartes e Augusto Comte.

Além disso, o termo “modernidade” que trata destas mudanças, lançado por Baudelaire, teve um reconhecimento, inicialmente, nos ambientes literários e artísticos no final do século XIX, tendo assim, sua popularização somente após a Segunda Guerra Mundial. Em suma, a modernização está ligada à moda, como característica do gosto ideal que aparece no cérebro humano considerado, acima de tudo, como vulgar, segundo Le Goff.

Por outro lado, a memória é a habilidade de conservar muitos conhecimentos, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que dá ao indivíduo a capacidade de atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como não atuais. Enquanto Lucien Febvre diz que não há tese histórica sem documento, valorizando a historiografia e até mostrando a dificuldade de contar a história das mulheres em diversas épocas por muitas delas não saberem escrever, o autor de História e Memória alerta para a veracidade contida ou não nas fontes, identificando a desconfiança como aliada do historiador.

Portanto, o livro debate os paradoxos e ambiguidades da história, a mentalidade histórica dos homens, as filosofias da história, o ofício do pesquisador cientista, a Europa pré-industrial, modernismo, revolução documental, cultura dos calendários, além de almanaques, memória étnica e ideia de progresso.

Referência: LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

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A Teoria da História a partir de uma Imaginação Musical

No dia 24 de agosto às 19h, no auditório da didática VI, será realizada uma oficina com o tema: “A Teoria da História a partir de uma Imaginação Musical”, ministrado pelo historiador e musicólogo brasileiro Prof. Dr. José D’Assunção Barros (UFRRJ).

As inscrições podem ser realizadas presencialmente no dia do evento ou enviando a ficha de inscrição disponível aqui para o e-mail: petufshistoria@gmail.com

Para mais informações sobre José D’ Assunção Barros e seu trabalho clique aqui.

Não deixem de participar!


Cartaz da Oficina José D'Assunção Barros (ATUALIZADO)

 

 

 

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Todo o Mundo é um Palco

Zeitgeist, (Zeitgeist, the Movie, no original) é um filme de 2007 produzido por Peter Joseph que aborda temas como Cristianismo, os ataques de 11 de setembro e a fundação do Banco Central dos Estados Unidos da América (Federal Reserve). Ele foi lançado online livremente via Google Vídeo em junho de 2007. Esse documentário tem como objetivo trazer novas perspectivas para eventos famosos, demonstrando que nem tudo que a gente acredita é verdade ou que só existe uma verdade. Ele é narrado pelo próprio Peter Joseph e traz ainda as contribuições de vários pensadores como: Thomas Paine, Jordan Maxwell, George Carlin, Benjamin Disraeli, etc.

A película é dividida em três partes, na segunda, Zeitgeist nos fala sobre o mito criado do “11 de setembro de 2001”, o dia em que as Torres Gêmeas do World Trade Center foram derrubadas devido a um ataque terrorista (ataque esse que teria sido, segundo o filme, perpetrado pelo próprio governo norte americano). Os argumentos apresentados são bastante críveis, bem como os furos nas explicações dadas pelo governo e seus representantes.

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Em contraponto à teoria do fogo, que teria consumido as colunas dos edifícios World Trade Center 1, 2 e 7, apresenta-se a versão da implosão planejada, em que explosivos teriam sido colocados nos edifícios com bastante antecipação, promovendo o tipo de queda controlada que foi visto no caso dos 3 edifícios. Explica-se também o fato do NORAD (North American Aerospace Defense Command) não ter conseguido interceptar nenhum dos voos que atingiram as Torres ou o Pentágono.

Em nenhum momento se questiona o fato do ataque não ter sido terrorista (terrorismo entendido como o uso sistemático do terror através da intimidação violenta buscando gerar medo). O que o documentário indaga é se o ataque foi realmente planejado e praticado pela Al Qaeda ou pelas forças ocultas que comandam o governo dos Estados Unidos e o Mundo. Muita conspiração para você?

O interessante do filme é que ele nos proporciona pensar o terrorismo de um novo ângulo e questionar as versões oficiais sobre os ataques às torres gêmeas. Ele torna-se um bom modo de exercitar a nossa crítica quanto a todas as informações que recebemos todos os dias. O que é verdade? O que é mentira? Qual a fonte? Quem está por trás da informação? Quem se beneficia dessa informação? etc.  Estas são perguntas que devemos nos fazer frequentemente frente aos noticiários e informações divulgadas na internet, essa é a mensagem que o filme nos deixa.  A dica que fica é que assistam Zeitgeist e tirem suas próprias conclusões.

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VI CinePET: “As veias (ainda) abertas da América Latina”

Vem aí a próxima edição do CinePET, que neste ano terá como tema: As Veias Ainda Abertas da América Latina.

O evento tem como objetivo suscitar debates em torno da relação entre História e Cinema. Em cada encontro, após a exibição de uma produção fílmica, o professor convidado buscará promover uma exposição seguida de uma discussão acerca da temática histórica proposta para o evento. Este ano, o CinePET contará com quatro sessões ministradas pelos professores: Prof.ª Dr.ª Célia Costa Cardoso (DHI/UFS); Prof. Msc. Luís Eduardo Pina Lima (DHI/UFS); Prof.ª Dr.ª Andreza Santos Cruz Maynard (CODAP/UFS); Prof.ª Gabriela Resendes Silva (Ex-PETiana).

As inscrições estarão sendo realizadas até o dia 18 de agosto, via SIGAA.

As sessões ocorrerão nos dias 22/08 (Auditório de Geografia); 24/08 (Auditório da BICEN); 29/08 (Auditório da BICEN); e 31/08 (Auditório de Educação).

No caso de quaisquer dúvidas, entrem em contato conosco através do nosso e-mail: petufshistoria@gmail.com.

Fiquem sempre ligados no nosso site.

Não deixem de participar!

 

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Resenha do livro “Apologia da História ou o Ofício de Historiador”, de Marc Bloch

capa_ApologiaHist_15-04-10.aiO interesse pela história é uma característica do homem em todas as gerações, pois muito pode-se saber através da observação do que restou do passado. Esta atração por vezes surge como uma curiosidade a respeito de determinada época ou personagem, posteriormente transformando-se em um ofício, em uma profissão. O historiador é o responsável por fazer deste fascínio um conhecimento científico, mas, para isso, é preciso ponderar sobre a escolha de um tema e sua relevância para a história da humanidade.

Deste modo, o historiador francês Marc Bloch discorre em seu livro Apologia da História ou o Ofício de Historiador, entre diversos assuntos relacionados ao saber histórico, sobre a serventia da história, o caráter científico desta e as principais ferramentas que o historiador tem ao seu dispor. O livro foi lançado em 1949, mas que traz tabus vivenciados hoje porque ainda se relaciona a história sendo exclusivamente feita por acontecimentos do passado, como se o estudo do que acontece hoje estivesse a cargo de quem ainda nem sonha em nascer. É inegável que a época do apogeu romano é fascinante, sem dúvida alguma, mas o presente está cheio de objetos de pesquisa que são preteridos em virtude de uma tradição que Bloch já denunciava no início do século XX, tema de um subcapítulo do seu livro, o “Ídolo das Origens”. É a obsessão com o passado mais recuado, como se na gênese humana estivesse a explicação do presente, que não permite o olhar para o que está em volta. Bloch diz que “alguns, estimando que os fatos mais próximos a nós são, por isso mesmo, rebeldes a qualquer estudo verdadeiramente sereno, desejavam simplesmente poupar à casta Clio contatos demasiado ardentes” (BLOCH, 2001, p. 56), criticando a postura de historiadores que não estudam os fatos recentes por estes não serem tão seguros quanto a Guerra de Peloponeso ou a Idade das Trevas. Essa segurança não provém da quantidade de informações que existe a respeito do passado, mas sim do receio em tocar em assuntos atuais, pois os objetos desses estudos estão “vivos”, necessitando de uma habilidade de investigação maior por parte dos pesquisadores.

A relevância da pesquisa também colabora na discussão sobre a serventia da história. Segundo Bloch, a história é a “ciência que estuda o homem no tempo” e tudo que o homem produziu ou influenciou é um artefato passível de ser “historicizado”, de se tornar parte da história – da história escrita, aquela feita pelos historiadores. Mas, ao longo do tempo existiram diferentes concepções sobre o que deve ser preservado nos livros. Um outro dilema para os estudiosos: o que deve ser transmitido para a posteridade. Pode cada um dar a sua importância para os fatos e escrevê-los ou existe um grau de notoriedade que um assunto deve ter para figurar nos anais da história? Sobre isso Bloch é categórico ao dizer que “Seria infligir à humanidade uma estranha mutilação recusar-lhe o direito de buscar, fora de qualquer preocupação de bem-estar, o apaziguamento de suas fomes intelectuais” (BLOCH, 2001, p. 40). Deste modo, Bloch é adepto de uma perspectiva histórica “ampliada e aprofundada”, onde pode-se analisar as ações do homem nos seus aspectos políticos, religiosos, sociais e culturais de maneira específica, com um olhar mais crítico.

Assim, Apologia da História ou o Ofício de Historiador, um trabalho inacabado em decorrência da morte do seu autor, que começa com uma pergunta feita pelo filho de Marc Bloch sobre “para que serve a história”. Em quatro capítulos, sendo o quinto incompleto, e pouco mais de cento e cinquenta páginas, Bloch explica e defende a sua vocação, além de difundir os fundamentos da Escola dos Annales, movimento fruto de um periódico francês fundando por Bloch e Lucien Febvre para renovar o modelo historiográfico vigente. Para nós, futuros historiadores, refletir sobre as indagações feitas por Bloch é fundamental para podermos compreender as obrigações da nossa profissão.

 

Referência Bibliográfica:

BLOCH, Marc Leopold Benjamin. Apologia da história ou O ofício de historiador. Prefácio de Jacques Le Goff. Apresentação à edição brasileira de Lilia Moritz Schwarcz. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

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