Dica de filme: A Duquesa (2008)

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A Duquesa é um filme britânico, lançado em 2008. Drama histórico dirigido por Saul Dibb, o longa-metragem foi vencedor do Oscar de melhor figurino. A película é baseada no livro de Amanda Foreman, que relata sobre a vida da aristocrata inglesa do século XVIII Georgiana Cavendish, duquesa de Devonshire. A produção conta com um elenco de peso formado por: Keira Knightley (Georgiana Cavendish); Ralph Fiennes (William Cavendish); Hayley Atwell (Elizabeth Foster); Charlote Rampling (Margaret, mãe de Georgiana); Dominic Cooper (Charles Grey).

Ambientado na Inglaterra do Século XVIII, o filme faz uma crônica da vida de Georgiana Spencer, que foi vítima da calunia e injúria por causa do seu comportamento extravagante tanto âmbito público quanto no privado. A personagem se destaca por sua beleza e pelo seu estilo de vida, participando ativamente das campanhas políticas e estando sempre rodeada pela classe artística.  Assim, é de fácil percepção que o filme possui em si um forte viés feminista ao tratar a questão do papel da mulher na sociedade. A duquesa se sobressai por fugir dos padrões da época, apresentando empoderamento com relação às falhas do seu casamento, além de apoiar as revoluções americana e francesa.

Desta forma, o enredo não é só uma história romântica, mas avança para uma denúncia e crítica do papel da mulher e, consequentemente, suas limitações ocasionadas por fatores históricos, sociais e ideológicos. Georgiana rompe com as limitações de sua época, quebrando as regras impostas pela sociedade patriarcal do seu período. Portanto, o filme A Duquesa auxilia o espectador a refletir a cerca de importantes questionamentos ainda latentes no nosso tempo.

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Processo Seletivo do Programa de Educação Tutorial 2017.2

comunicac3a7c3a3o-boneco-com-megafone2Entre os dias 13 e 20 de novembro de 2017, estarão abertas as inscrições para seleção de alunos que desejem integrar o Programa de Educação Tutorial do Departamento de História (PET/UFS).

Para participar da seleção, o aluno precisa ter Média de Conclusão (MC) igual ou superior a 6,0 e estar matriculado entre o 2º e o 5º período do curso de Licenciatura em História.

As inscrições poderão ser efetuadas das seguintes maneiras:

Pela tarde – das 14h às 18h na Sala do PET História (sala 11/DHI);

Em tempo integral – Enviando a ficha de inscrição (disponível aqui) e os documentos necessários digitalizados, para o e-mail: petufshistoria@gmail.com

Para mais informações sobre a seleção, confiram o edital clicando aqui.

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Acolhimento do Curso de História 2017.2

Olá, alunos do curso de História!

Convidamos a todos para participar do Acolhimento de História 2017.2 que ocorrerá nos dias 06, 07, 08 de novembro. O evento é uma realização do Departamento de História em parceria com a PROGRAD, PROEX e PROEST.

Sabemos que a vida universitária envolve uma série de questionamentos e expectativas. Com este Acolhimento pretendemos ajudá-lo (a) a esclarecer o máximo de dúvidas possíveis e descobrir algumas das muitas possibilidades que a UFS pode oferecer. Por isso, nesta edição, a recepção será aberta para todos os alunos do curso.

Para maiores informações, entrem em contato conosco através do e-mail petufshistoria@gmail.com e confiram a programação do evento clicando aqui.

Cartaz

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A Escola dos Annales – ( Peter Burke)

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O livro “A Escola dos Annales” vem apresentar a visão e o rumo que a História tomou ao longo dos tempos, através dos métodos utilizados por aqueles que fizeram parte dos Annales, mostrado nas palavras do autor inglês Peter Burke.

Havia uma necessidade de mudanças, de tornar a História bem mais abrangente, em que o homem como historiador pudesse se redescobrir em meio a ela. Para tal, era preciso um material de trabalho que apresentasse um quadro de maiores possibilidades, que o levasse a criar e recriar novos tipos de abordagens para o entendimento da chamada “História Nova”, levada pelas três e principais gerações da Escola dos Annales, nas quais estiveram presentes os principais autores da época que tiveram papel direto e essencial para o avanço do movimento . Entre eles estavam March Bloch e Lucien Febvre (seus fundadores), que possuíam ideais parecidos quando se referem à história, mas comportamentos díspares visto que ambos tinham suas particularidades, que era o que os diferenciava. Seguidos por Fernand Braudel, Georges Duby, Jacques Le Goff, entre outros. Estes foram responsáveis por mudar a maneira de se estudar história, vista antes de um modo apenas tradicional.

Os autores que fizeram parte da Escola dos Annales tinham por objetivo em comum, como visto no próprio livro: “[...] de fazer dela um instrumento de enriquecimento da história…” (2010, p.8). Através de combinações que contribuíssem para a evolução da narrativa, tendo o movimento uma das características que mais se vê no livro, que é a questão da interdisciplinaridade, um dos fatores que possibilita novas invenções e parcerias com as outras ciências próximas, como por exemplo, a antropologia, ciências sociais e geografia que também tiveram seu importante papel.

O autor Peter Burke vem neste livro reavivar ao leitor o que se passou no mundo dos Annales, trazendo não só as qualidades desse movimento, mas mostrando também falhas e críticas que receberam na época. Ele tinha como objetivo trazer conhecimento de forma precisa, para a compreensão das várias questões que a rodeiam, abordando temáticas distintas, entre elas a História-Problema; História do Imaginário; História Quantitativa, cada uma em sua forma e especificidade. Além disso, apresentou divisões bem cronológicas no decorrer do livro, dividindo-o não apenas pelas principais gerações, mas também por temas, destacando as tendências de cada fase.

Do mesmo modo, a obra mostra que com a criação da chamada “Nova História” os profissionais uniram-se pelo interesse em comum, que era o estudo da história. Eles não permitiam mais serem diminuídos, o historiador estava sempre em busca de contribuir para o avanço da historiografia, através de novos objetos de estudo, utilização de diferentes fontes e métodos que deram início a um novo jeito de se pesquisar e estudar História, tornando a Escola dos Annales grande influência e referência para profissionais da área até hoje. Toda sua obra e o que sucedeu depois dela trouxe uma importante perspectiva sobre a contribuição do movimento dos Annales. Este colaborou bastante para a ampliação desses estudos e há um trecho que aponta bem isso: “O grupo ampliou o território da história, abrangendo áreas inesperadas do comportamento humano e a grupos sociais negligenciados pelos historiadores tradicionais” (2010, p.143). Com a colaboração de outras ciências os estudos e pesquisas puderam avançar num nível maior, trazendo novas descobertas essenciais para estória da historiografia.

Por outro lado, as formas de ver historiografia através dos Annales não se mantiveram apenas na França. O autor conta que houve uma grande expansão do movimento pelo mundo, o que explica toda a sua influência. Segundo Peter Burke, as ideias do grupo foram mais aceitas nas Américas, tendo o Brasil, onde as aulas ainda são lembradas, como o país onde a propagação foi maior. O estudioso cita ainda a Europa e a Ásia como lugares onde o movimento do Annales foi disseminado, exercendo influência não só na historiografia, mas também na área dos conhecimentos humanos, que são de grande valor.

Portanto, o movimento promove ainda hoje a ideia de uma história contínua, que traz consigo ações inovadoras para quem deseja iniciar um estudo mais abrangente na área, por exemplo, ou até mesmo para quem deseja estudar o próprio grupo dos Annales. Faz-nos pensar o quanto podemos aprender e evoluir, quando se possui fontes que agregam tanto à profissão de historiador, quanto ao pesquisador dando ideias e possibilidades que caminho seguir.

Referência: Burke, Peter. A Revolução Francesa da historiografia: a Escola dos Annales 1929-1989 / Peter Burke; tradução Nilo Odalia. – 2. Ed. – São Paulo: Editora da Unesp, 2010.

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O Ilusionista

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Produzido nos Estados Unidos, dirigido por Neil Burger e lançado no dia 8 de dezembro de 2006, o filme O Ilusionista teve roteiro e edição de Burger e Steven Milhallser. Desse modo, drama, romance e suspense marcam a trama, pois esta envolve o público através de surpreendentes desfechos utilizando-se de prestidigitação.

Se hoje a magia é vista como produtora de Arte Cênica, nem sempre ela teve essa conotação. Outrossim, há ilusionismo no mundo muito antes do que se imagina, pois já na Antiguidade, os faraós interagiam com sábios através de conhecimentos científicos capazes de produzir truques impressionantes até os dias atuais, por exemplo, imagens projetadas em três dimensões. De maneira idêntica, isto fica evidente na película por meio de técnicas utilizadas pelo mágico para produzir “espíritos” aplicando conhecimentos de refração da luz.

Além disso, a abordagem de Burger pode remeter a uma analogia com o estudo das diversas perseguições realizadas por inquisidores na Idade Moderna, visto que assim como no roteiro de O Ilusionista, os oprimidos do século XVII precisavam a todo momento provar que não tinham envolvimento com poderes sobrenaturais, salvando-se ou não de condenações.

Portanto, durante milênios Mágica e Ciência integravam uma só disciplina, uma vez que o conhecimento secreto foi utilizado tanto para o progresso de civilizações quanto para a defesa dos povos e demonstração de poderes, simulados graças a engenhosos efeitos. Ou seja, o estudo das artes milenares comprova as diversas utilidades de um aparentemente despretensioso espetáculo, do qual pode-se retirar informações a respeito do funcionamento de uma sociedade.

Referências:

DA SILVA, Felipe Thiago Teixeira. Abracadabra: História da Mágica e dos Mágicos. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2014.

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Negação (Denial)

denial-poster-600x901Produzido em 2016 e lançado no Brasil em março de 2017, o filme Negação (Denial) tem como diretor Mick Jackson e conta com um roteiro produzido pelo dramaturgo britânico David Hare. Com os gêneros drama, crime e biografia, a película, de nacionalidade norte-americana e britânica, tem seu elenco composto por atores como Rachel Weisz, Timothy Spall, Andrew Scott e Tom Wilkinson. O longa-metragem possui uma duração de 1h50min.

Baseada em fatos reais, a produção se dedica a contar a história do processo judicial movido pelo historiador britânico David Irving, um negacionista do Holocausto, contra a historiadora norte-americana Deborah Lipstadt, professora de Judaísmo Moderno e Estudos sobre o Holocausto na Universidade Emory, em Atlanta. Na ocasião, Irving alegou que Lipstadt havia lhe difamado ao acusa-lo de distorcer os fatos ocorridos contra os judeus na Alemanha Nazista. O caso ocorreu em Londres, entre os anos de 1996 e 2000, e Irving saiu derrotado.

Dentre alguns temas que podem ser levantados a partir do filme, o principal deles é o Negacionismo. Tratam-se de teses, formuladas principalmente nos Estados Unidos e na Alemanha, que buscam negar o Holocausto aos judeus nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Motivados por racismo, posicionamentos políticos, antissemistismo e ligados a uma extrema direita, os negacionistas argumentam que: não houve genocídio e as câmaras de gás não existiram; as mortes do judeus foram ocasionadas por questões naturais, por timo ou em decorrência dos bombardeios dos aliados; o número de mortos, para a maioria dos negacionistas, não passariam de mais de duzentos mil; o genocídio é uma propaganda dos judeus e dos aliados.

A fim de legitimar seus discursos, os negacionistas utilizam-se do relativismo histórico e argumentam que os historiadores admitem trabalhar com múltiplas interpretações, sem que se possa considerar um delas dotada de verdade.  Além disso, as barreiras psicológicas e a dificuldade de algumas pessoas em acreditar no extermínio aos judeus contribuíram para a justificação destes argumentos.

Levando em consideração estas questões, Negação torna-se uma boa dica de filme para alunos e professores de História que queiram entender um pouco mais ou abordar a temática do Negacionismo ao Holocausto, e para pesquisadores da Segunda Guerra Mundial.

 

Referências:

UNITED States Holocaust Memorial Museum. Combate à Negação do Holocausto: Origens do “Negacionismo”. Disponível em: <https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007273>. Acesso em: 17 ago. 2017.

Negacionismo e intolerância no final do século XX.  JESUS, Carlos Gustavo Nóbrega de. In: Anti-semitismo e nacionalismo, negacionismo e memória: Revisão Editora e as estratégias da intolerância, (1987-2003). São Paulo: Editora UNESP, 2006, p. 21-50.

 

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Uma Cidade sem Passado (The Nasty Girl)

            maxresdefaultO filme Uma cidade sem passado que na versão original chama-se The Nasty Girl é de 1989, tendo como diretor Michael Verhoeven. O elenco é composto por Barbara Gallauner, Elisabeth Bertram, Fred Stillkrauth, Hans-Reinhard Müller, Karin Thaler, Michael Gahr, Michael Guillaume, Monika Baumgartner, Robert Giggenbach, Willi Schultes e Lena Stolze (personagem principal). A história narrada baseia-se na história real de Anna Rosmus, natural de Passau (Alemanha) que aos dezesseis anos interessou-se por estudar História, especialmente por assuntos como o Terceiro Reich. Rosmus escreveu seu primeiro livro Resistance and Persecution – The Case of Passau, 1933-1939, que foi publicado em 1983. Em 1985, o diretor Michael Verhoeven interessou-se pela história de Anna, dando origem ao filme.

             A trama se passa num pequeno lugar chamado Pfilzing, cidade natal de Sonja, personagem interpretada por Lena Stolze. Sonja, aluna muito correta e aplicada, recebe uma proposta de sua professora para concorrer num concurso de redação cujo prêmio era uma viagem à França. O tema da redação foi “Minha cidade natal durante o Terceiro Reich”, o que levou Sonja a procurar informações sobre o tema para que assim, pudesse elaborar os escritos. Durante sua busca, a personagem sofreu uma dura perseguição por parte das elites locais e de alguns membros da Igreja que no passado, tiveram ligações diretas com os nazistas. Em busca da “documentação proibida”, Sonja chega a processar a própria cidade para que ela tenha acesso aos arquivos.  O nazismo é então o pano de fundo da película, abordado como um momento obscuro da história em que se tinha restrições e muitas verdades eram ocultadas.

             O trabalho desenvolvido por Sonja, nos faz indagar sobre o papel do historiador na sociedade e de como algumas atividades são difíceis de serem realizadas no cerne da pesquisa e na busca por fontes, sejam elas de estilos variados. Interligando com o livro Fontes Históricas, organizado por Carla Pinsky (2015), notamos as variadas fontes que estão suscetíveis ao ofício do historiador. No livro, são abordados temas como fontes documentais, arqueológicas, impressas, audiovisuais, dentre outras que servem de aparato imprescindível às pesquisas realizadas no âmbito acadêmico.

               Para além do diálogo com as fontes e a demanda que decorre em função das pesquisas nos arquivos, a memória é posta em evidência na película. Partindo do olhar de Michel Pollack (1989) e Henry Rousso (2006), notamos que o silêncio acontece como uma alternativa para o desconfortável, pois as autoridades utilizam mecanismos para silenciar aquilo que não é conveniente para eles em relação ao nazismo, e o esquecimento como um ponto para a “memória vergonhosa” que ainda se faz presente na vida dos moradores da cidade que vivenciaram o momento analisado por Sonja.

            O filme nos faz pensar a respeito de temas como ditadura, nazismo, entre outros, que, mesmo com as constantes produções acadêmicas realizadas, ainda sofrem algumas limitações, seja no tocante ao acesso dos documentos sobre eles ou mesmo na inexistência destes. Pensando nas possibilidades e de como os fatos históricos são construídos ou reconstruídos, podemos nos deparar com situações semelhantes às que foram vividas pela personagem Sonja, o que nos faz refletir ainda mais sobre a importância da história e do historiador na sociedade. Assim, Uma cidade sem passado é essencial para os historiadores que, recorrendo às fontes, realizam pesquisas em âmbito geral, proporcionando reflexões variadas que escapam nestas linhas.

Referência Bibliográfica: PINSK, Carla B. Fontes Históricas. 3. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2015.

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O Nascimento de uma Nação (1915)

       Discutir sobre racismo não é tarefa fácil. A discriminação racial é um fator característico da nossa sociedade, sendo assim intrínseco ao relacionamento entre diferentes culturas. O estranhamento no contato com o outro é esperado, mas a opressão sofrida pelos negros é uma questão especialmente latente, apesar das diversas políticas sociais de incentivo à resolução do tema. Exemplos de violência racial se fazem presentes a todo momento – principalmente na América do Norte – denotando que o problema não é apenas social, mas também uma construção histórica enraizada no imaginário coletivo. Assim, reviver o contexto sócio histórico do início do século XX, presente na obra de David Griffth, é essencial para entender como o racismo prevaleceu mesmo após o fim das políticas segregacionistas.

          Birth_of_a_Nation_theatrical_poster  O Nascimento de uma Nação é inspirado no livro ficcional The Clansman, de Thomas Dixon Jr., um romance histórico de legitimação da supremacia ariana e da necessidade de reforçar esse domínio através de grupos como a Ku Klux Klan. O filme é divido em duas partes de aproximadamente uma hora e meia cada, e se passa no século XIX pré e pós-Guerra de Secessão. A família nortista Stoneman e os sulistas Cameron, amigos antes do conflito, tornam-se inimigos nos campos de batalha. Com a vitória dos estados unidos do Norte, o Sul é posto sob a humilhação da derrota e o temor causado pela libertação dos escravos.

          A trama, a fim de reforçar todos os estereótipos possíveis, contrapõe a inocência, a bravura e a justiça do homem branco à devassidão, apatia e perversão do homem negro, além de retratar o oportunismo daqueles que usaram a causa racial como trampolim político.  Desta forma, a principal inspiração para o filme que inaugura a narrativa cinematográfica americana – um enredo que cresce até o clímax, desenvolvendo os personagens ao longo de uma narrativa focada na “guerra justa” ao elemento traidor – é o ódio racial justificado pela tensão do fim da escravidão após a Guerra Civil. Ao fim, os vitoriosos são os sulistas brancos, que conseguiram subjugar o negro além de conseguir provar aos estados do Norte a periculosidade que a liberdade escrava poderia trazer.

            Entretanto, apesar do teor apologético que a película construiu em torno da Ku Klux Klan e da imagem subversiva dada aos ex-escravos, a exibição do filme iniciada em 1915 incentivou a discussão sobre os direitos civis. O jornalista Dick Lehr, no livro The Birth of a Movement: How Birth of a Nation Ignited the Battle for Civil Rights (O Nascimento de um Movimento: Como O Nascimento de uma Nação inflamou a batalha pelos Direitos Civis, tradução livre), conta a respeito do embate de Griffth com Monroe Trotter, jornalista cujo pai serviu no primeiro regimento formado de apenas soldados negros para lutar pelo Norte durante a Guerra de Secessão. Monroe vai percorrer uma verdadeira odisseia contra a exibição do filme, conseguindo boicotá-lo e até suspender a sua exibição durante um tempo. Entretanto, o sucesso da obra de Griffth é inegável, arrecadando aproximadamente cem vezes mais o valor do seu orçamento. As inovações trazidas por Griffth quanto ao posicionamento da câmera dentro e fora do estúdio, além da evolução quanto à idealização de um enredo épico, reafirmam a riqueza da obra como um todo.

      Concluo que precisamos separar o filme do seu teor e relativizar a sua contribuição, seja para a indústria cinematográfica, seja ao debate acerca das questões raciais. O Nascimento de uma Nação foi o primeiro filme a ser exibido na Casa Branca, mas hoje criou-se um tabu em torno da sua reprodução – talvez porque a sua ideologia continue presente no território americano. Os avanços na discussão do racismo dependem do conhecimento deste passado, pois só assim poderemos discutir honestamente as raízes da discriminação e pensar em formas de combate-la. É muito difícil querer formar um ideal de democracia racial quando se ainda tem sujeira embaixo do tapete.

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O Livro de ELI (Albert e Allen Hughes)

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Lançado em 2010, O livro de ELI é um filme de nacionalidade americana, dirigido por Albert e Allen Hughes, com o roteiro de Gary Whitta. A película conta com um elenco composto por personalidades como: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis e Jennifer Beals. Têm como característica marcante a violência e o poder, o que é um traço peculiar nas produções dos irmãos Hughes, esta versa principalmente a respeito da influência do conhecimento e a capacidade de manipulação humana.

Eli (Denzel Washington) é um andarilho solitário que carrega consigo um livro, há 30 anos busca um lugar onde ele acredita que o conhecimento presente neste exemplar (o ultimo existente na terra) poderá ajudar na reconstrução do mundo. A história se passa em um ambiente “pós-apocalíptico” em uma terra devastada após uma guerra civil, que sofre com a escassez de alimentos, água e valores, onde negócios são realizados por escambo e dentre os poucos sobreviventes a maioria é analfabeta. Neste ambiente, obter conhecimento é o mesmo que ter uma “arma sobre mentes fracas”, como cita Carnegie (Gary Oldman) em um dos trechos do filme.

Portanto, esta é uma produção polêmica que pode gerir inúmeras discussões devido à amplitude das temáticas abordadas, além de criticar o uso do conhecimento para a manipulação em massa, trabalha questões como Intolerância religiosa e o consumismo, dentre estas destaca-se também a importância das fontes na construção da história. Sendo assim, essa película é um ótimo recurso didático para docentes que desejem trabalhar com qualquer uma das temáticas supracitadas.

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História e Memória (Jacques Le Goff)

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A obra “História e Memória” foi publicada em 1988, contendo escritos de 1977 e 1982 feitos pelo autor Jacques Le Goff. Este teórico reconstrói conceitos através de estudos que vão da Idade Antiga à Idade Contemporânea, com enfoque no pensamento dos escritores destas épocas.

Segundo Le Goff, manter conhecimentos armazenados na mente relacionados a funções psíquicas, psicológicas ou da Neurofisiologia, faz as pessoas reinterpretarem o passado, dando origem à memória coletiva, uma das principais formas de discutir História.

De fato, o Positivismo, a Escola dos Annales, história política, dos grandes heróis, dos bastidores, das guerras, entre outras; são temas abordados na obra. Do mesmo modo, a diversidade de documentos, o fim do monopólio das fontes escritas, a oralidade sendo reconhecida como relevante a partir de 1970, a evolução das maneiras de recontar o passado é mostrada com referências clássicas, por exemplo, Peter Burke, Heródoto, René Descartes e Augusto Comte.

Além disso, o termo “modernidade” que trata destas mudanças, lançado por Baudelaire, teve um reconhecimento, inicialmente, nos ambientes literários e artísticos no final do século XIX, tendo assim, sua popularização somente após a Segunda Guerra Mundial. Em suma, a modernização está ligada à moda, como característica do gosto ideal que aparece no cérebro humano considerado, acima de tudo, como vulgar, segundo Le Goff.

Por outro lado, a memória é a habilidade de conservar muitos conhecimentos, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que dá ao indivíduo a capacidade de atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como não atuais. Enquanto Lucien Febvre diz que não há tese histórica sem documento, valorizando a historiografia e até mostrando a dificuldade de contar a história das mulheres em diversas épocas por muitas delas não saberem escrever, o autor de História e Memória alerta para a veracidade contida ou não nas fontes, identificando a desconfiança como aliada do historiador.

Portanto, o livro debate os paradoxos e ambiguidades da história, a mentalidade histórica dos homens, as filosofias da história, o ofício do pesquisador cientista, a Europa pré-industrial, modernismo, revolução documental, cultura dos calendários, além de almanaques, memória étnica e ideia de progresso.

Referência: LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão. Campinas: Editora da UNICAMP, 1990.

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